segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Reflexo

Movo a mão para ajeitar o cabelo desgrenhado que se revolta sobre um corpo alto e magro, perante um comprido espelho. Vejo toda a minha figura superficial e encho-me de questões existenciais. “Que criatura é esta em que me vejo? Para que serve?”. Talvez seja um bem material móvel que é possuidor e protector de um ideal. Ideal esse que se irá identificar com outros ideais presentes noutras criaturas, em alguns aspectos. Talvez seja esse o segredo e a Natureza das relações humanas. Seja. Que importa? Que me importa isso, se me encontro só perante a minha imagem? Não importa as filosofias e ideais criados como raciocínios matemáticos que giram à volta do Tudo para chegar ao Nada. Não importa, não importa, não importa. Respiro e milhões, biliões, triliões de partículas de ar e de vapor de água moveram-se na atmosfera, chegando à minha imagem e embaciando-a. Algo mudou. Algo que macroscopicamente parece minúsculo, mas que visto de perto e com verdadeiros olhos, é algo de grandioso e mágico. Que importa o resto, se sei que apenas num sopro algo mudou por minha causa? Sabe bem saber que faço diferença, por mais insignificante que ela seja (a certos olhos, que não os meus).

Miguel Cruz

1 de Agosto de 2011

2 comentários:

Maria Elisa disse...

Gostei...:)

Vvulpes disse...

Gostei do esforço de contenção. =) Gostava também que revisses a concordância =P tens umas gralhas que são mesmo falta de atenção.
De resto, gostei! =)