segunda-feira, 21 de julho de 2008

A Lágrima

Se eu conseguisse agarrar uma lágrima salgada dos teus marítimos olhos lacrimosos, conseguia soltar todos os pensamentos que estavam colados às paredes do meu cérebro. Bastava uma palavra para que a lágrima escorregasse pelas lisas faces da tua cara. Mas que misteriosa palavra seria essa? Fui pesquisando, ouvindo o soar dos conselhos do piano. A minha música favorita ecoava nas paredes da magnífica sala onde se tinha desenrolado a cena.
Os teus olhos gelatinosos prestes a descongelarem, transpareciam através dum genuíno véu uma preocupante tristeza. Essa tristeza activou o fundo negro do meu coração, sobressaltando-se então o susto.
Um pequeno soluço escapou-me e foi agarrar-se ao teu olhar. Queria falar, mas a garganta traiu-me, impedindo que uma voz trémula e preocupada nascesse.
Por impulso saltei para os teus braços delicados. Uma pele suave, macia e branca, uma silhueta do mais perfeito que há, uns cabelos que descaíam por umas costas com uma curvatura perfeita, que serpenteavam espalhando o seu loiro pelos puros ares e visitando os teus olhos azuis acinzentados, brilhantes, tristes e pensativos. Isto tudo resumia-se a ti. Tocaste-me, fazendo-me soltar um arrepio.
Nos éramos como os teus olhos. Se um se começa a afogar num mar lacrimoso, o outro avisa a mão fina que vai mergulhar na água, fazendo-a transbordar, salvando a vida do seu amigo olho. O mesmo acontece connosco.
Ainda estava à procura da palavra que servia para arrancar a lágrima do seu cantinho, desta vez escrevendo. Escrevendo este pequeno mas valioso texto. Valioso porque vou obter resposta de como conseguir exprimir os meus sentimentos.
Basta uma lágrima, uma apenas, para um sentimento arrastar consigo todos os outros em direcção ao fundo do túnel.
No entanto, qual a palavra? A dúvida ia aumentando, desesperando-me quase por completo. Calma! O que é preciso é muita calma… Repousei. Reflecti e escutei a suave voz da minha consciência.
A resposta arrastava-se e ia-se desenvolvendo às voltas na minha cabeça. Organizei os pensamentos todos e falei baixinho, pronunciando a resposta. “Para haver vida é preciso Amor, Paz, Respeito. Isto tudo reúne-se na família e nos amigos. Amigos verdadeiros. Para que os haja vem a convivência ajudar. Recai sobre nós a necessidade de expressão de sentimentos. Mas o que é o sentimento? Tudo o que é bom e mau nas nossas vidas está tudo no interior dum coração. Coração não vivo, mas ilusório. O coração que armazena os sentimentos. O sentimento de que preciso aqui será… Felicidade!”.
A lágrima já escorria, percorrendo o seu elegante percurso, acariciando a tua lisa cara. Uma parte de ti dizia adeus às tuas belas feições e pedia licença para entrar nas minhas.
A partir desse momento, estávamos unidos para todo o sempre pela lágrima salgada dos teus marítimos olhos lacrimosos.
A Lágrima da Felicidade!


Miguel Cruz

1 de Dezembro de 2007

1 comentário:

Pedro Marques disse...

a lágrima finalmente no caminho da sua vida.